Operação Pay Back apura esquema com falsos comprovantes de pagamentos tributários

21/09/2026

WhatsApp
Facebook
Telegram
LinkedIn

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, em 10 de setembro, a Operação Pay Back para investigar um contador suspeito de participação em esquema de fraude tributária e lavagem de dinheiro. A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão domiciliar e determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros no Recife e em Olinda, na Região Metropolitana de Pernambuco.

Conforme a PCPE, o investigado teria se valido da confiança estabelecida com empresas clientes para simular o pagamento de tributos: apresentava aos proprietários comprovantes supostamente falsificados, enquanto os valores dos impostos não eram efetivamente recolhidos.

Uma das empresas atingidas seria do setor de transportes. Segundo o delegado Breno Varejão, o esquema teria durado cerca de dois anos e provocado prejuízo superior a R$ 2 milhões à empresa.

A investigação começou em junho de 2025 e indicou, de acordo com as autoridades, que os recursos obtidos com a fraude eram direcionados a outras atividades empresariais, entre elas compra e venda de veículos e negócios ligados ao comércio de sucata.

Estrutura de empresas movimentava os valores

A apuração identificou uma estrutura formada por empresas usadas, segundo a PCPE, para movimentar os valores e dificultar a identificação de sua origem. A operação teve como alvos quatro pessoas e quatro empresas.

Entre os negócios investigados estão uma empresa de venda de veículos e consultoria e dois estabelecimentos do ramo de sucata. Durante o cumprimento das medidas, os agentes apreenderam uma arma de fogo e dois simulacros; o responsável pelo armamento foi autuado em flagrante.

Parte dos investigados já havia aparecido em apurações sobre suspeitas de sonegação fiscal e receptação de materiais, principalmente cobre e outros metais, informou a Polícia Civil. O delegado destacou que o setor de sucata já é acompanhado pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (Cira-PE) em razão de ocorrências de sonegação e da possibilidade de uso do segmento em lavagem de dinheiro.

Suspeita de sonegação alcança dezenas de empresas

Além da fraude atribuída ao contador, a investigação apontou uma atuação empresarial mais ampla do grupo. Segundo João Maria Rodrigues, coordenador do Cira-PE, os levantamentos indicam aproximadamente R$ 287 milhões em sonegação fiscal.

O valor estaria relacionado a um grupo de cerca de 38 empresas e a 81 processos administrativos tributários. O cruzamento das informações financeiras obtidas na investigação com dados de outras apurações permitiu identificar conexões entre os investigados e diferentes empresas.

De acordo com o coordenador do Cira-PE, a operação também busca avançar na recuperação dos valores relacionados às irregularidades, inclusive os que ainda não foram abrangidos pelas determinações judiciais cumpridas na primeira fase.

Certificado digital teria sido usado no esquema

Um dos pontos destacados pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) foi o acesso do investigado às informações fiscais das empresas. Segundo Antônio Emery, representante do órgão, o contador utilizava o certificado digital para acessar as comunicações dos contribuintes com a Receita Estadual, a Receita Federal e outros sistemas.

Esse acesso teria permitido simular o cumprimento das obrigações tributárias e informar aos proprietários que os pagamentos haviam sido realizados. A operação contou com assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil e apoio operacional da Diretoria de Operações Estratégicas da Sefaz-PE, que abordou seis contribuintes considerados envolvidos direta ou indiretamente no caso.

O que as empresas precisam observar

A Sefaz-PE informou que algumas das empresas envolvidas já haviam passado por fiscalizações, e os respectivos processos administrativos foram comunicados ao Ministério Público, que também integra o Cira-PE. O cruzamento desses dados com a investigação sobre o contador permitiu chegar aos alvos da Operação Pay Back.

Para as empresas que contratam serviços contábeis, o episódio reforça a necessidade de acompanhar as informações sobre obrigações tributárias e respectivos pagamentos, sem transferir integralmente esse controle a terceiros. Entre os profissionais da contabilidade, o uso de certificados e o acesso aos sistemas fiscais aparecem como elementos centrais da apuração.

A Operação Pay Back segue em andamento, e as autoridades informaram que a investigação continuará para verificar se outras empresas podem ter sido vítimas do esquema.


Fonte: Com informações de Contábeis